Preços altos da gasolina impulsionam vendas de híbridos da Toyota e ações disparam
A alta dos preços da gasolina tem levado compradores de automóveis nos Estados Unidos a optar por veículos híbridos, impulsionando os resultados da Toyota Motor. A montadora japonesa informou na quinta-feira (5) que espera lucro operacional de US$ 24,7 bilhões no atual ano fiscal, encerrado em março — alta de 15% em relação à previsão anterior. A empresa também reportou ganhos maiores entre abril e setembro, sustentados pelo aumento das vendas de híbridos no mercado americano.
Os números fizeram as ações da Toyota subirem mais de 16% em Tóquio na quinta-feira, o maior avanço diário da companhia em quase 40 anos. No terceiro trimestre, as vendas totais de híbridos nos Estados Unidos cresceram 28% na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as de veículos elétricos caíram 40%, à medida que a eliminação de créditos tributários federais pelo governo Trump seguiu reduzindo a demanda.
“Os estoques de veículos híbridos estão extremamente apertados — basicamente, eles vendem como água, mesmo sem descontos”, afirmou Sanshiro Fukao, pesquisador executivo do Instituto de Pesquisa Itochu. “Essa dinâmica é muito forte e, de longe, é o principal fator por trás dos bons resultados da Toyota.” A montadora vendeu 2,36 milhões de híbridos entre abril e setembro, aumento de 8% em relação ao ano anterior. O lucro com esses veículos também foi reforçado pela desvalorização do iene, que amplia o valor dos ganhos no exterior quando convertidos para a moeda japonesa.
Os resultados evidenciam como a aposta da Toyota nos híbridos, vista como contrária ao consenso no início dos anos 2020, está dando retorno. Na época, concorrentes como a Honda Motor priorizaram os veículos elétricos e se tornaram favoritas entre investidores. Agora, a mudança no mercado trouxe dificuldades: a Honda registrou em maio o primeiro prejuízo líquido anual de seus sete decênios de história, e a Volkswagen afirmou em setembro que cortaria cerca de 50 mil empregos adicionais diante dos custos ligados aos elétricos e do aumento da concorrência na China.
A Toyota, porém, não está imune aos desafios dos concorrentes. Montadoras chinesas passaram a inundar mercados globais com elétricos baratos, e as vendas da Toyota na China caíram um quarto entre abril e setembro, atingindo o menor nível em quase uma década. Para Fukao, os resultados extraordinários atuais podem ser considerados de curto prazo. “Embora os híbridos atualmente representem vendas fortes, a questão iminente de como a indústria automobilística japonesa se sairá quando tivermos de competir novamente em veículos elétricos a bateria pode, inegavelmente, se tornar um grande desafio”, disse.
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